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LITERANDO NO TEATRO

Geral por Sandra Hasmann em 2017-05-05 12:51:41

* Por Renata Barcellos - Colunista Convidada (prof.renatabarcellos@gmail.com)


No dia 22 de abril, tive a grata surpresa de ir assistir à peça Eles eram muitos cavalos e, ao término, haver um debate (maravilhoso) com o autor da obra literária (Lançada em 2001): Luiz Ruffato.   

O nome escolhido para o livro segundo ele é um verso de “Romanceiro da Inconfidência”, cuja história é sobre a Conjuração Mineira (movimento de 1789 promovido por colonos brasileiros que pretendiam tornar a região de Vila Rica - Minas Gerais - independente do domínio português:

“Eles eram muitos cavalos,
ao longo dessas grandes serras,
de crinas abertas ao vento,
a galope entre águas e pedra (...)
Eles eram muitos cavalos
rijos, destemidos, velozes
entre Mariana e Serra do Frio,
Vila Rica e Rio das Mortes (...)  (Cecília Meirelles, 1953):

Para o autor, somos “cavalos” por sermos “invisíveis”. Somos anônimos. “Não reconhecemos       o outro”, “nós nos lixamos um com os outros”.

Assim, a narrativa de Ruffato retrata a vida de São Paulo, no dia 9 de maio, em 69 histórias.        Para a peça, o elenco selecionou algumas para a encenação com temáticas variadas como: trânsito (“trânsito parado e eu sozinha morrendo de medo”), tiroteio (“dilema morrer no meio do tiroteio”), relacionamento (“A intimidade é a morte da relação”), mulher(“uma mulher precisa mais do que isso” – “Ficar enfiada em casa, rezar para os filhos não se envolverem com os bandidos. Estou tão cansada”), religião (“vejo sofrimento, angústia daquele que só têm passado, presente e futuro. Você está triste, perdido”) e amizade (“amiga, seu último desej”).  Todos esses assuntos (entre outros) são apresentados em um cenário constituído por andaimes, porque representam a “construção civil”, segundo o diretor Alexandre Lino.             O elenco constituído por Pablo Falcão, Lucianna Magalhães, Mariz Garcez e Valquiria Oliveira dá vida e movimento aos personagens. Conforme Ruffato,  “gostei muito, porque  consigo ver os personagens que eu criei”. Mas revela “não crio expectativas. Como escritor é outra linguagem (cênica) e eu não a domino”. Perguntado se participaria da construção de peça sobre suas obras, declara que “não quero participar nunca. Não é minha praia”. 

O romance já na 11ª edição ganhou os prêmios APCA e Machado de Assis. Foi considerado pelo jornal O Globo  como um dos dez melhores livros de ficção da década. Também está publicado em Portugal, na França, Itália, Alemanha, Colômbia e Argentina. Luiz Ruffato é um dos nomes de destaque da Literatura Contemporânea brasileira. Ele nasceu na cidade de Cataguases, no estado de Minas Gerais, em fevereiro de 1961, filho de um pipoqueiro e de uma lavadeira. O escritor é formado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora.  Iniciou sua trajetória literária com duas obras de contos: Histórias de Remorsos e Rancores (1998) e Os Sobreviventes ( 2000), As Máscaras Singulares (em 2002), Os Ases de Cataguases, seu primeiro ensaio, no mesmo ano de 2002.Sua publicação mais recente é a série Inferno Provisório ( 2005). Este também ganhou o prêmio concedido pela APCA  como a melhor ficção de 2005.  Suas obras apresentam a temática da falta de pertencimento.  De acordo com o romancista, o grande problema da sociedade brasileira é a falta de subjetividade (“a maioria não tem”).  O escritor declara que o ato da escrita ocorre quando “se afeta meu corpo, eu escrevo”.

A peça estava em cartaz no Teatro Serrador até o dia 30 de abril, no Rio de Janeiro.

 

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