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Literando no teatro

Literatura por Renata Barcellos em 2017-08-12 10:49:10

“A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a ele mesmo”.

Máximo Gorky

Sou Renata Barcelllos, pós-doutora em Língua Portuguesa pela UFRJ. Professora de Língua Portuguesa da Rede Estadual do RJ (CEJLL/NAVE e do CECA) e da UNICARIOCA. Associada do CIFEFIL e membro da ALAF, da ALAP, da UBE... Coautora da Gramática contextualizada (2016) e de diversas antologias e autora do Itens de análise linguística no novo ENEM e no Saerjinho e de Alma dilacerada. Já participei de vários concursos literários os  e ganhei alguns como os organizados pela ABD.  Meu currículo é lattes.cnpq.br/0314933761062584

Quanta à escrita literária, ela surgiu de um momento de decepção com fatos profissionais, sociais e pessoais ocorridos (sobretudo) em 2016. A maioria das poesias são frutos da indignação. As palavras brotaram da minha alma, germinaram no papel e regaram minha consciência. Isso permitiu-me não só organizar meus pensamentos como também desbravar novos mares: o da poesia e o do conto, participar de saraus literários, de palestras sobre grandes escritores, de concursos e assistir a peças baseadas em obras literárias também inspiraram-me a elaborar algumas poesias.

O que me impulsionou a propor este espaço foi a possibilidade de divulgar peças  cujos textos selecionados sejam de autores nacionais e internacionais e de estimular a leitura de textos literários. No que refere-se a isso, com os alunos do CECA, do CEJLL e da Unicarioca,  incentivo sempre a leitura dos clássicos , a ida ao cinema, a teatro... Hoje, com um mundo tecnológico com tantos atrativos, infelizmente, boa parte dos jovens não tem muito interesse pelo lado cultural. De uma forma geral, não “curtem” muito programas como um tour pelo centro do Rio de Janeiro para conhecer os museus, os locais por onde os autores passaram e/ou ambientaram seus textos, ler os clássicos, participar de saraus, redigir poesias...

Na atualidade, trabalhar com Literatura (as escolas literárias e os clássicos) é uma árdua tarefa. Os alunos não veem sentido mais na forma como a disciplina ainda é ministrada. Vários leem muito, mas Literatura Fantástica e sagas. Os grandes autores como Alencar, Drummond e Machado? Muitos negam-se a lê-los, até mesmo a proposta mais atrativa: HQ. O professor precisa criar estratégias para “conquistar” este alunado cujos interesses são distintos de outrora. É preciso convencê-lo da importância da sua leitura.

Diante desse cenário, no CECA e no CEJLL/NAVE, há propostas diversas como organização da árvore poética intitulada Café com poemas, um movimento de identidade sociocultural e educacional de Leandro Flores e Celeste Farias, realizada no pátio do CECA. As temáticas já propostas foram mãe, meio-ambiente, amor... a fim de enfatizar uma data comemorativa, saraus integrado com a poetisa Alessandra Viegas, responsável pela biblioteca do NAVE e autora do livro Transversais, e com participação de alunos, ex-alunos, professores e amigos, ida à leitura dramatizada na ABL, aula externa pelos centros culturais... Isso é um modo de despertar no aluno o interesse pelas Artes, para que possa enxergar o mundo de uma forma mais sensível e crítica. As múltiplas formas artísticas devem servir para humanizar, ou seja, para reflexão, aquisição do saber, afinamento das emoções, capacidade do senso da beleza de superar os problemas, percepção da complexidade do mundo e dos seres, cultivo do humor. Como diria o cineasta Rosemberg Cariry “De que vale a arte que não transforma o homem?”.  

Ao longo destes últimos anos, tive a grata oportunidade de conhecer jovens interessados em Artes. Não só apreciam as diversas formas de expressão como também compartilham seus conhecimentos. Fez da cultura sua razão de viver como Leandro Pedro, ex-aluno de Programação de Jogos do CEJLL/NAVE. Segundo ele, o que estimulou a este universo foi             

                                                            

                                                                  quando pequeno conheci o Instituto de Arte Tear - um espaço  

                                                                  fantástico com o propósito de desenvolver projetos de arte-

                                                                  educação. Comecei lá a fazer o curso de contação de histórias que

                                                                  durou 5 ano.Lá foi minha primeira formação na área das artes.

                                                                  Apaixonei-me.  Por isso, hoje, sou arte-educador e desenvolvo

                                                                  atividades voltadas especialmente para a difusão literário e

                                                                  desenvolvimento de uma educação mais humanizada.

 

  Hoje, Leandro tem uma página no Facebook  Ih, contei  e o  site www.leandros.com.br.  Este ex-aluno com seu trabalho apaixonante desenvolve o conceito de . Pode-se entender que, nesta concepção, a literatura “desenvolve em nós uma dose de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante”. (CÂNDIDO, 1995, p. 249).

 

Este ano, ao estar lotada em outra unidade escolar (CECA), conheci um dos componentes do grêmio no início do ano, Vitor Braga, poeta, cujo entendimento de poesia é uma Poesia “A poesia é minha companheira / que me acompanha e sabe tudo da minha vida inteira / Amo escrever e ter algo para compartilhar / Dessa forma, o coração de alguém posso tocar / Felicidade enorme compor um verso / Mal sabia que nas palavras, eu estava imerso / Acredita no teu potencial e apenas faz / aquilo que te preenche e te traga paz / Assim é a vida com a escrita / Algo bem mais fácil do que lidar com a ferida / Segue firme e apenas confia / Que o melhor está bem na frente e você nem desconfia”.  Com o seu gosto pela poesia, criou um grupo no WhatsApp chamado Projeto livro cujo objetivo é a organização de uma Antologia com poesias de alunos e de ex-alunos. Neste, disponibiliza-se as produções , informações sobre eventos na área como a exposição Poesia Agora, na Caixa Cultura do Rio de Janeiro (onde já fomos duas vezes e vários textos compomos).... Assim conheci o poeta Lucien Gilbert, ex-aluno, cursa Direito, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Segundo seu relato, o que o levou ao universo das letras foi o fato de “Escrever desde a infância, em parte graças à leitura desde cedo”. Seus textos são lindos. Leiam Você:

Você é sinônimo de amor
É substantivo poderoso
Antônimo de minha dor
Verbo não apenas transitivo

É chuva de belos adjetivos
\\\"Minha\\\", doce pronome
Possessivo porque sou tua posse
Tudo em mim, até meu nome

Você é advérbio de intensidade
É ponto de exclamação
Esta história não tem ponto final
Contigo encontrei minha coesão.

 

Tenho o estimulado a participar de concurso e de desafios como o proposto pelo grupo Múltiplas Histórias: escrever uma poesia com as palavras espuma – sol e pedras. Lucien teve seu texto publicado no Blog  http://pastelariaestudios.blogspot.pt/ e selecionado para participar de um concurso.

Cabe ressaltar que o espaço de culminância de todas as formas de expressão das Artes é a biblioteca. Especificamente, a do Nave tem-se tornado um espaço de integração  com as aulas de Língua Portuguesa, de Literatura e de Produção textual.Eu e a agente de leitura, professora Alessandra Viegas, temos uma parceria desde 2015, com diversos saraus temáticos - Clarice Lispector, Ferreira Gullar, retextualização, declamação de poesia de autoria dos alunos, exposições mensais sobre autores trabalhados: Machado de Assis, Lima Barreto, Fernando Pessoa, Monteiro Lobato, Castro Alves, Cecília Meirelles, Adélia Prado. Para incentivar o hábito da leitura / escrita e divulgar a produção acadêmica dos professores, também há uma exposição permanente, chamada GENTE NOSSA.  Ainda, neste espaço, com o incentivo e organização de Alessandra Viegas , o aluno-poeta Thiago Francisco de Paula realizou seu sonho: compôs, declamou, publicou e lançou o seu livro O que o mundo esqueceu.  Podemos dizer que a Biblioteca “habilita os alunos para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve sua imaginação, preparando-os para viver como cidadãos responsáveis” (IFLA, 2000).

 

Assim, nesta primeira coluna, minha intenção foi apresentar um pouco a minha prática pedagógica e alguns jovens que, apesar de todas as mazelas sociais, fazem a diferença, valorizam a cultura e estão deixando sua impressão sobre o mundo, sua contribuição no universo das Artes. A todos vocês, parabéns por expressarem-se através delas!!! Obrigada por fazerem parte da minha história!!! Afinal, segundo Cosson, a Literatura “nos diz o que somos e nos incentiva a desejar e a expressar o mundo por nós mesmos... ela é a incorporação dos outros em mim sem renúncia da minha própria identidade” (COSSON, 2011, p.17). A partir da próxima semana, nesta coluna, haverá uma apreciação de alguma peça em cartaz e/ou a divulgação de projetos realizados. Espero que apreciem!!!

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Maria Ellisa

Uma das melhores professoras que já tive desde a infância 💜💜💜

Alessandra Viegas

Como é bom ter você na parceria, Renata!!!! Sempre!!!

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