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Literando no teatro

Literatura por Renata Barcellos em 2017-12-13 07:55:31

A peça “O Princípio de Arquimedes” cuja direção é de Daniel Dias da Silva apresenta a história do professor de uma escolinha de natação acusado de beijar um menor: uma das meninas da turma declara que ele teria abraçado e beijado na boca um menino apavorado pelo fato de precisar tirar a boia na piscina. O texto trata-se de uma reflexão sobre questões como medos contemporâneos, relações humanas, preconceitos e desconfiança com gestos de carinho. Teria mesmo isso ocorrido? A escola apoiou o professor? Como foi a reação da comunidade escolar? Como as crianças e os jovens relacionam-se com os professores na atualidade? Como lidam com demonstração de carinho? Dessa forma, o espetáculo é constituído por momentos dramáticos como a temática assim o exige.

Inicialmente, fiquei me perguntando o porquê do nome da peça. Qual princípio seria este de Arquimedes? O que ele fez para a essência gerar o texto? Vamos lá conhecê-lo: Ele nasceu em Siracusa, atual Itália, no ano 287 a.C. Foi um matemático, engenheiro, físico, inventor e astrônomo grego. Dedicou-se ao seu método, no qual expôs sua genial aplicação da mecânica à geometria. Ele “pesava” imaginariamente áreas e volumes desconhecidos para determinar seu valor. A partir desta biografia, percebe-se que, na peça, composta por blocos de cenas longas. Tudo se passa ao longo de um único dia, no vestiário dos professores. Lá, pressionada pelos pais e sem ter certeza do ocorrido, a diretora interroga o professor sobre o que teria acontecido: “ Heitor, o que aconteceu hoje de manhã com o Alex?, O que você fez? Tem certeza de que não há nada mais a declarar?”. Em cena, há ainda um segundo professor, assustado com o boato, e o pai de uma das crianças, que invade a escola fora do horário de aula para fazer perguntas e exigir providências. Os protagonistas são Helena Varvaki (diretora) e Cirilo Luna (o professor acusado), e os papéis coadjuvantes são desempenhados por Gustavo Wabner (outro professor) e Sávio Moll (um responsável).

O espetáculo possibilita várias reflexões: Quais relações estamos estabelecendo nos espaços institucionais? Qual mundo deixaremos para os filhos? Qual o equilíbrio entre não colocar os filhos em risco e não condenar uma pessoa sem provas? O que tem mais peso: a verdade ou o que se dissemina como verdade publicamente? Existe confiança indiscutível em alguém quando o assunto é abuso contra menor? O professor acusado questiona o outro professor e a diretora: “Vocês não confiam em mim?, Vocês não falam nada. Confiam ou não?”.

Toda a situação é agravada por causa de um grupo de responsáveis no Facebook, no qual eles interagem. É lá, na rede social, o boato se prolifera e alarma as famílias. Levando-os a se mobilizarem diante da escola e apedrejarem-na. A peça termina com os atores dizendo: “Estamos todos apavorados”.

O texto foi escrito pelo Josep Maria Miró (Buenos Aires 1867 – 1896). Ele foi escritor, jornalista e poeta argentino, conhecido por seu pseudônimo literário Julián Martel .  Sua obra de maior destaque é La Bolsa (1890), única novela de sua produção, de grande valor literário que lhe conferiu ser um dos escritores mais destacados do final do século XIX.

Pertencente à esfera boêmia literária de Buenos Aires, estava entre os primeiros passos do Movimento Modernista . Apesar de sua morte precoce aos 30 anos, não teve uma produção abundante, seus poemas refletem plenamente o Modernismo e o Naturalismo: as duas tendências literárias do final do século XIX na Argentina.

Obra: A bolsa. Julián Martel (pseudônimo de José María Miró). Publicação original: Buenos Aires, Buenos Aires Art Printing, 1898



O espetáculo da Lunática Cia. de Teatro está em cartaz no Centro Cultural dos Correios, no centro do Rio de Janeiro, de quinta a domingo, às 19 horas, até 22 de dezembro.


Vale a pena conferir pelas reflexões suscitadas: Quais valores são estes compartilhados? Quais queremos? Qual orientação estamos dando a esta nossa geração?


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