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O ATENEU

Literatura por Renata Barcellos em 2018-05-30 09:08:27

Ontem, no penúltimo dia, fui assisti ao tão comentado pelos grupos dos quais faço parte O Ateneu. Pude ratificar as apreciações feitas como “divino”, “maravilhoso”, “reflexivo” e “elenco extremamente jovem mostrando ao público o verdadeiro espírito do teatro”. É um ESPETÁCULO!!! Não percam!!! Hoje, último dia.

Trata-se de uma remontagem grandiosa (número de atores em cena) e audaciosa (sem patrocínio) da peça dirigida com excelência por Carlos Wilson (1950-1992) em 1987. Cabe destacar que grande parte do elenco é proveniente de O Tablado. Como sempre belas atuações. No elenco composto por 37 atores, poucos são conhecidos por trabalhos na TV, como: Vitor Thiré (de “Querida Quitinete”), João Fernandes (de “# Meninos e Meninas”) e Caio Manhente (de “Os Alunos do Colégio Santa Disciplina”). Segundo o diretor, a seleção foi a partir de “jovens atores que admirávamos. Muitos ficaram, outros saíram por todos os motivos possíveis e depois de mais de 100 atores passarem pelos ensaios, chegamos ao nosso número ideal de 37 atores. Temos um grupo sólido e com ótimos atores”.

 A peça O Ateneu é uma adaptação do romance de Raul Pompéia (em 1888). Ela retrata a história de Sergio em um internato para meninos no final do século XIX. Suas primeiras amizades e o primeiro amor, sua experiência com a hipocrisia e como enfrenta injustiças no local onde vive. Há também uma tensão homossexual entre o protagonista e os amigos – tema tabu na época. De acordo com o diretor, o livro “não é sobre uma história homossexual, e sim sobre sentimentos, sobre a trajetória de um herói e entre outras coisas sobre a descoberta do amor, no caso entre meninos de um colégio interno. E o amor sempre vai fazer sentido. Para qualquer plateia”. O texto permite-nos refletir sobre temas atemporais suscitados nesta faixa etária: a descoberta do amor, a hipocrisia e o interesse nos relacionamentos, a loucura, a injustiça, a vingança, o poder e a homossexualidade. Podemos verificar a forma como eram tratados e ainda são muitas vezes, infelizmente. É para PARAR, PENSAR e REVER valores e atitudes se forem necessários.

Vale mencionar um pouco do autor Raul Pompeia (1863 – 1895). Ele cometeu suicídio aos 32 anos com um tiro certeiro no coração. O motivo? A sua suposta homossexualidade – a mesma razão pela qual Pedro Nava tiraria sua própria vida quase cem anos mais tarde. Muitos relatam ser o primeiro romance a relatar uma relação homossexual entre os personagens. Contudo, o marco inicial é dado a Bom-crioulo, de Adolfo Caminha, no ano de morte de Pompeia.

O Ateneu é uma obra que vai além dos esteriótipos de gênero e representa uma das críticas à sociedade brasileira da época, marcada pelo fim do Império em 1889 e também contra a escravidão cujo “fim” foi com a Lei Áurea, promulgada em 1888.

Sérgio, o protagonista, vê no colégio interno um bloqueio à sua liberdade. As normas rígidas e o conservadorismo representam a sociedade brasileira, personificada ainda na figura de Ariosto, o diretor da escola. É importante destacar que Pompeia não faz referência diretas à homessexualidade. A primeira “pista”é um conselho recebido por Sérgio aos 11 anos: dois sexos existem no colégio; o primeiro dos garotos sem “sangue”, sem coragem; o segundo representa os meninos valentes, “que se fazem homens”. A partir daí a trama se desenrola.

Para finalizar esta breve apreciação, um fragmento desta obra:

“A verdadeira arte, a arte natural, não conhece moralidade. Existe para o indivíduo sem atender à existência de outro indivíduo. Pode ser obscena na opinião da moralidade: Leda, pode ser cruel: Roma em chamas, que espetáculo! Basta que seja artística. Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a superioridade humana – acima dos preceitos que se combatem, acima das religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e como o êxtase. E desdenha dos séculos efêmeros” (p. 107 e 108).

 

 

 

 

 

 

ELENCO

Arthur Brasiliano (Franco)

Breno Brizola (Rui)

Caio Graco (Lourenço)

Caio Manhente (Bernardo)

Caio Pozes (Malheiro)

Danilo Lobo (Samuel)

Diego Cruz (Domingos)

Diogo Tarré (Bento Alves)

Rafael Aguirre (Rebelo)

Felipe Janer (João)

Felipe Sampaio (Joaquim)

Gabriel Borgongino (Jorge)

Gabriel Neto (Icaro)

Gabriel Savelli (Gregório/Roupeiro)

Gabriel Terra (Cruz)

João Fernandes (Pedro Paulo)

Jorge Hissa (Raimundo)

Gabriel Oliveira (Rômulo)

Gustavo Kaz (Tobias)

Henrique Lott (Sanchez)

João Pedro Celli (Gualtério)

Lipe Dal-Cól (Sanchez/ Bernardo)

Matheus Faria (Mata)

Matheus Santelli (Almeidinha)

Paulo Ernesto Maradonna (João Numa)

Pedro Soares (Moisés)

Rafael Telles (Stand-in)

Victor Hugo Ribeiro (Gabriel)

Vinícius Calixto (Cauê/ Noivo)

Vinicius Portella (Alexandre Akerman)

Vinícius Turkienicz (Egbert)

Victor Mello (Sergio)

Vitor Thiré (Barbalho)

 

Participações

Catarina Saibro (Angela)

Isabela Dionísio (Melica)

Roberta Repetto (D. Ema)

Daniel Braga (Mânlio)

Nicolai Nunes (Silvino)

 

FICHA TÉCNICA

Direção – Carlos Wilson (in memoriam)

Adaptação Teatral – Adriana Maia e Carlos Wilson (in memoriam)

Direção de Remontagem – Oberdan Junior e Marcelo Cavalcanti

Coach Vocal – Dody Cardoso

Assistente de Direção – Giovanna Maia 

Figurino – Biza Vianna

Iluminação –  Luiz Paulo Nenen

Cenário – Jandir Ferrari e Carlos Wilson (in memoriam)

Cenotécnico – Seu Humberto e Humberto Junior

Trilha Sonora – Carlos Cardoso

Música – Milton Nascimento e Fernando Brant

Programação Visual – Rafael Aguirre

Produção – Mônica Nêga e O Ateneu 

Idealização – Oberdan Junior e Fala na Cara Produções

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