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Literando no teatro

Literatura por Renata Barcellos em 2018-07-04 16:13:48

Há algumas semanas estava com vontade de assistir a Na parede da memória, fui ontem e me deleitei. Fabrício Branco elabora um belo texto inspirado nas letras de Belchior  (1946-2017). É uma homenagem ao músico e poeta A peça conta a história de quatro amigos (Antônio, Carlos, Nanda “devoradora de homens” e Bel “riponga”) que se reencontram, depois de 10 anos, em um apartamento, onde viveram e separaram-se por causa de ressentimentos, desavenças... Retornam para retirar seus pertences do imóvel (“Primeira vez , em dez anos, que estamos aqui”). No meio da conversa e da divisão, desacordo com relação à propriedade do disco Alucinação, de Belchior.

O título Na parede da memória é uma metáfora. Pode-se entender as paredes do apartamento repletas de lembranças, das histórias vividas por eles 4 (“Quantas histórias vivemos aqui. Quantas lembranças”). Ou parede como uma parte da memória que os 4 quiseram esquecer por causa das divergências quando saíram de lá. Por exemplo, Bel acusa Nanda de ser responsável pela morte do irmão: “Você matou meu irmão... igual você tentou dando para todos os caras que passou pela tua frente. Você não merece perdão”. Há outras como “você levou meu sorriso e ferida ainda aberta”.

A peça faz-nos mergulhar em nossa história e pensarmos as escolhas feitas, os caminhos seguidos… Destaco alguns fragmentos como “Você tirou meu único amor da minha vida”, “ teu infinito sou eu”, devo ter algo de bom”, “a vida é feita de histórias e abandonos” e “O estrago que você causou em mim”.

Ao longo do drama narrado, os 4 atores cantam fragmentos das músicas de Belchior. Vale ressaltar a bela voz da atriz cujo papel é da Nanda. Dentre elas:


Galos, Noites E Quintais

Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,

que hoje eu trago e tenho;
Quando adoçava meu pranto e meu sono,
no bagaço de cana do engenho;
Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus,
fazendo eu mesmo o meu caminho,
por entre as fileiras do milho verde
que ondeia, com saudade do verde marinho’.



Velha roupa velha


Você não sente nem vê

Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era novo jovem
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer “.



Como nossos pais


Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo”.



Um pouco de Belchior


Antônio Carlos Belchior nasceu em Sobral, 26 de outubro de 1946 e faleceu em Santa Cruz do Sul, 30 de abril de 2017). Filho de Dolores Gomes Fontenelle Fernandes e Otávio Belchior Fernandes, foi um cantor e compositor brasileiro.


Obras:


Mote e Glosa (1974), Alucinação (1976), Coração Selvagem (1977), Todos os Sentidos (1978), Era uma Vez um Homem e o Seu Tempo (1979), Objeto Direto (1980) e Paraíso (1982).



Segundo Dezo Mota, a obra de Belchior “tem uma riqueza imensa e muito significativa. Através da história que contamos no palco, sua poesia se faz presente, não só na vida dos personagens em cena, como também na atual situação do nosso país\".



Pensamentos de Belchior:



Tenho pressa de viver

Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar”.



Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa!”



Mas não se preocupe meu amigo com os horrores que eu lhe digo. Isso é somente uma canção, a vida, a vida realmente é diferente quero dizer, a vida é muito pior...”.



Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito
Tudo, tudo, tudo, tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais”.

 

Como é perversa a juventude do meu coração que só entende o que é cruel e o que é paixão!”



Vale a pena conferir!!! Bom texto de Fabrício Branco e boa atuação dos atores!!!



Ficha técnica:

  • Lcal:Teatro Candido Mendes
    Endereço:Sua Joana Angélica, Nº 63 – Ipanema.
    Telefone: (21) 2523-3663
    Sessões:Terça e quarta às 20h
    Período: 12/06 a 08/08
    Elenco: Daniel Villas, Dezo Mota, Gloria Dinniz e Nina Alvarenga
    Direção: Paulo Merisio
    Texto: Fabrício Branco



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